domingo, 7 de maio de 2017

RESENHA: Livro "A Beleza é uma ferida" de Eka Kurniawan

Hello, my dears! Dia de resenha por aqui e venho mostrar um livro que estava super ansioso pra ler e trazer as impressões pra você. Se agradou? Vem conferir...

TÍTULO: A Beleza é uma ferida
AUTOR: Eka Kurniawan
PÁGINAS: 462
EDITORA: José Olympio

 A vida da prostituta mais procurada da fictícia Halimunda, Dewi Ayu, e das quatro filhas é marcada por estupros, incestos, assassinatos e fantasmas – muitas vezes vingativos. Astuta, destemida e engenhosa, Dewi levanta-se do túmulo após 21 anos para contar a própria história e desvendar alguns mistérios. Mas talvez a principal razão para o forte desejo de voltar à vida seja visitar sua quarta filha, a quem ela deu à luz antes de morrer. Seu nome é Beleza, mas foi abençoada com a feiura que Dewi tanto desejou para afastar a família da maldição da beleza. Ao contar essa história, Eka Kurniawan, o aclamado escritor indonésio, faz uma crítica mordaz ao passado conturbado da sua jovem nação: a ganância do colonialismo; a luta caótica para a independência; a ocupação japonesa; o assassinato de um milhão de “comunistas” em 1965, seguido por três décadas de governo despótico de Suharto. Combinando folclore, sátira e a formação da Indonésia, a voz inconfundível de Kurniawan – inspirada em Melville e Gogol – traz originalidade e relevância para a literatura contemporânea e oferece aos leitores o prazer na linguagem exuberante usada para descrever uma carnificina; defendendo simultaneamente a força necessária para sobreviver.
A Beleza é uma ferida é um romance narrado em terceira pessoa dividido e 19 capítulos num total de 462 páginas. Escrito por Eka Kurniawan, um autor indonésio que nos apresenta um pouco do misticismo e da cultura da Indonésia nessa obra singular. O livro teve lançamento em Fevereiro de 2017 pela editora José Olympio.

Dewi Ayu é uma menina holandesa de beleza incontestável que vive numa cidade chamada Halimunda, no arquipélago hoje chamado de Indonésia. Sua infância teve a normalidade interrompida quando a guerra atingiu o lugar e ela, ainda adolescente, teve que enfrentar as piores e mais improváveis situações para sobreviver. Sempre teve atitude e perseverança, vendo as dificuldades como apenas mais um obstáculo que precisava ser enfrentado com praticidade.

Quando a guerra, dominada pelos japoneses estava em seu ápice, Dewi Ayu e outras dezenas de refugiadas foram destinadas a uma casa de prostituição, um triste destino para todas, mas para ela, era a chance que precisava para sobreviver, concluindo que aquilo seria melhor que a morte. Desde então, Dewi seria uma prostituta, da adolescência até o fim de sua vida, aos 52 anos. 

A protagonista teve três filhas: Alamanda, Adinda e Maya Dewi. As três são filhas de pais diferentes e desconhecidos. Todas herdaram a beleza da mãe e isso é tratado quase como uma maldição, já que os homens eram obcecados por sua beleza, os levando à loucura tanto para conquistá-las quanto para possuí-las. Os destinos das moças são marcados por violência, estupros e maldições.

Muitos anos depois, 12 dias antes de terminar sua própria morte, Dewi Ayu, já uma velha prostituta, dá à luz a sua quarta filha, a criança mais feia que a cidade de Halimunda viria a ter, sendo considerada um demônio, tamanha a feiura de sua assustadora fisionomia. Mas para Dewi, isso era uma vingança à própria vida, que lhe deu lindas filhas mas todas com destinos amaldiçoados. A quarta filha levou o nome ironicamente de Beleza porém a maldição de Dewi não parece ter surtido o efeito desejado.

A obra é altamente singular, exótica e crua. A narrativa é fluida mas os temas abordados são fortes, os personagens estranhos e a ambientação sempre rústica. Não é um livro fácil pelo fato de a história tomar rumos altamente inesperados numa trama insana. É preciso ter o estômago forte e uma mente receptiva para aceitar cada fato explícito e inusitado que a história reserva.

A carga dramática que pensei encontrar no livro por conta dos motivos óbvios implícitos desde a capa até a sinopse foram levados a uma conclusão de que tive uma das mais inesperadas e estranhas experiências literárias. Certamente não é um livro ruim mas com certeza não é um livro simples de abraçar. Posso dizer que valeu a experiência mas não é uma leitura recomendável para qualquer tipo de leitor.


10 comentários:

  1. Ainda não tinha ouvido falar sobre este autor. Interessante a abordagem do livro e sua intensidade, mas o livro tem uma mensagem a fundo ou só usa esses temas como forma de manter o leitor vidrado em cenas forte?
    Gostei da sua resenha!
    Ótimo trabalho.
    Esperando pela próxima!

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    1. Pois é Fernando, ele gosta de surpreender, chocar, mas eu meio que perdi o sentimento que achava que ia ter na leitura. O drama é todo coberto pela excentricidade...é um livro bem diferente, meio louco mesmo! =D
      Abraço, querido, volte sempre!

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  2. O livro tem uma história emocionante de uma menina que enfrentou tanta coisa pra sobreviver. O livro aborda assunto que mexe com o leitor, o livro é uma excelente opção de leitura para quem gosta desse gênero de livro,a resenha ficou maravilhosa gostei muito abraços.

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    1. Quem bom que gostou da resenha Lucimar, se tiver a oportunidade, leia e volte aqui pra contar a experiência ;)

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  3. Olá!
    Não conhecia esse livro ou até o autor, mas fico um pouco reticente pois não sendo um autor ocidental não sei bem que escrita esperar (me desculpe se estiver a ser ignorante em relação a isso). Mas a temática do livro me chamou bastante a atenção! Acho que vou procurar mais algumas opiniões sobre o livro..
    Beijos

    Pseudo Psicologia Barata

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    1. Bea, esse também foi meu medo. O livro tem uma premissa interessante mas rolou aquele receio de a leitura ser muito diferente por conta do autor, e foi, viu! É uma narrativa bem louca, mas vale a experiência, o livro não é ruim, não!
      Beijo!

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  4. Olá Rodrigo!
    Realmente o livro não aborda assuntos faceis mas a premissa me chamou atenção e a citação que você destacou também. A leitura parece um tanto perturbadora, mas mesmo assim daria una chance ao livro. Parabéns pela resenha!
    Abraços.

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    1. Marisa, tem que ter estômago viu mas a curiosidade e a experiência é super válida!
      Abraço.

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  5. Muito boa sua resenha, com certeza esse é um tipo de livro que não leria. Por isso sempre leio as resenhas antes de escolher os livros que vou comprar ou ler. Abraços.

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    1. Obrigado Cíntia, que bom que gostou da resenha e lhe foi esclarecedora.
      Abraço!

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