quarta-feira, 4 de maio de 2016

RESENHA : Livro "Rosa, Vegetal de Sangue" de Carlos Heitor Cony

Olá queridos! Minhas postagens estão cada vez mais esporádicas né? Peço desculpas pela ausência mas logo, logo voltarei a postar na mesma frequência que antes. Hoje trago mais uma resenha de um livro nacional. Fiz essa leitura no mês de março e alguns seguidores pediram a resenha dele quando postei sobre as leitura do mês. Então vamos nessa!
Obra-prima do realismo social - um retrato da dolorosa problemática da moderna juventude. E, sem intenções de chocar nem de causar escândalo, mas também sem falso pudor, o autor vai direto ao assunto e fotografa com maestria as condições de uma sociedade em que a juventude é a vítima principal.
Rosa, Vegetal de Sangue é um romance escrito pelo autor brasileiro Carlos Heitor Cony. Narrado em terceira pessoa, o livro possui apenas 109 páginas, podendo ser classificado também do gênero Novela.

Rosa Maria é uma jovem de 20 anos que divide uma vida difícil com a família. Rosa Maria é uma jovem de 20 anos que divide uma vida difícil com a família. Logo que concluiu os estudos, pensando em ajudar nas despesas de casa, arranjou um emprego de recepcionista num dos maiores jornais do país, mas o salário era o mínimo e isso não agradava o ambicioso pai.
Certa noite, depois de Rosa chegar mais tarde que o normal, os pais a questionam se ela arranjou um namorado. A Moça sem rodeios respondeu que estava saindo com um homem casado e ambos se gostavam. Esse homem é Lobianco. 50 anos,bem casado, já com filha da idade de sua amante e uma carreira sólida e respeitada como jornalista exatamente na empresa em que Rosa trabalha. 

O Romance entre os dois permanece em segredo para a família de Lobianco e supostamente para a empresa. Mas jovens secretárias e recepcionistas do prédio inteiro tinham costume de manter casos com grandes nomes do jornal. A relação deles foi ficando cada vez mais sólida e Lobianco começou a ter como compromisso, quase obrigação, ajudar Rosa financeiramente. Ele ajudava no aluguel, nas despesas e ainda pagava integralmente o colégio do irmão mais novo da moça.

Um dia, Lobianco decide que Rosa deveria sair da casa da família para morar num lugar mais acessível pra ele visitá-la, e os dois se amarem em paz, além de tentar dar um conforto maior para ela. Mas não é só isso, a decisão veio junto com outra atitude radical: Rosa devia largar o trabalho. Ela aceitou de bom grado, obviamente, pois Lobianco proporcionava o conforto e supria suas necessidades financeiras. Isso fazia com que ela gostasse dele...o admirasse e respeitasse.

Rosa agora não trabalhava, não estudava, nem passeava com Lobianco, até porque ele trabalhava o dia inteiro e tinha que se mostrar presente com sua família. Ou seja, ela passava o dia todo em casa, esperando a visita do amante durante a noite. Naquela época (década de 70) não havia internet. Ela não tinha TV, apenas um rádio e um diário que resolveu começar a escrever. 

Este diário ocupa, em um único capítulo, quase um terço do livro. Nele, Rosa conta como se sente morando sozinha, num bairro novo, sem programas, sem lazer, sem diversão. Conhecemos melhor tudo que se passa em sua cabeça e as aventuras que ela experimenta para poder sentir alguma coisa, qualquer coisa diferente do vazio que predomina seu dia-a-dia. 

Na Monotonia, na aflição, no tédio, na dúvida...ela começa a se questionar sobre quem ela é e o que exatamente ela está vivendo, pois não parece uma vida. Seus questionamentos são absurdamente tristes e comuns. 

"Sou uma empregada que com o seu salário ajuda na economia doméstica. Isso é prostituição. Mas não me sinto uma prostituta. Lobianco me ama - disto eu tenho certeza. O fato de não amá-lo e aceitar passivamente que ele me ame e ajude meu pai não é a pior forma de prostituição. Mas haverá uma forma melhor de prostituição? "

A Obra possui enredo e diálogos rasos, mas as reflexões são muito profundas. Um livro que pode ser lido em qualquer época e você certamente conhecerá pessoas na sua vida que se identifiquem com a protagonista, infelizmente. Uma triste realidade, infeliz desfecho. A Primeira vez que o li tinha 15 anos, uma década depois, ao relê-lo, tive uma outra compreensão, porém o vazio foi o mesmo.

A Edição traz ilustrações muito interessantes a cada capítulo, refazendo alguma cena do mesmo. Diagramação muito confortável e leitura fluída. A Capa é linda e retrata bem a personagem: Lânguida, mas atraente. Comum porém bela. Rosa, Vegetal de Sangue...

Espero que tenham gostado. Beijo na Alma e até a próxima!


21 comentários:

  1. Olá,


    Não conhecia esse livro e fiquei muito interessada no enredo. Gosto muito de história que tratam de problemas reais e infelizmente, tão comuns em nossa realidade. O livro realmente parece trazer boas reflexões e acredito que vou investir em breve nessa leitura. Também gostei da capa, parece ser bem condizente com a história. Fico feliz que sua leitura tenha sido proveitosa.

    Abraços
    colecoes-literarias.blogspot.com.br

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  2. Oii!
    Comecei a leitura da resenha sem muito interesse mas acabei aqui com muita vontade de ler! Surpreendente já que não sou muito fã de história antigas! Adorei!

    Vitória, www.vicio-de-leitura.com

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  3. Caraca! Ainda num conhecia a obra em si e fiquei bastante interessada na leitura! :D
    Obras que falam da vida real costumam me chamar muito atenção, sabe?
    Uou, fico imaginando quanto ao questionamento a si mesma sobre o que faz, algo a se prestar atenção máxima nesta leitura, me parece. :)
    Beijo, Min

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  4. Hey, Rodrigo!
    Considere-se perdoado. :)

    Lá vem você com os livros de que nunca ouvi falar.
    Adoro quando um livro me mostra uma história que poderia ser a de qualquer um que eu conheço. Rosa Maria certamente representa muitas e muitas pessoas.
    Fiquei curiosa sobre o diário.
    Sugestão devidamente anotada, quero ler na primeira oportunidade que tiver!

    Beijos!

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  5. Oi! Não fazia ideia do que se tratava o livro, mas acredito no que diz, de ser uma leitura de reflexão e que deixa um vazio. Não é um livro para os fracos.
    Adorei a resenha!

    Bjs, Cass | www.livroseoutrascoisas.com.br

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  6. Oi. Realmente tenho te visto pouco na blogosfera. Esse livro tem uma capa bem significativa e curiosa, leria pela capa. Depois de ler a resenha e conhecer mais sobre o enredo, gostei mais ainda. Esse é também um tipo de violência contra a mulher, infelizmente ainda recorrente.

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  7. Com certeza esse não seria um livro pra mim, por ter um enredo raso e no momento estou procurando histórias que me surpreendam... Apesar de ter uma temática interessante o livro não me atraiu. Mas gostei da sua resenha, parabéns! Beijos.

    Blog Ei, Carol!

    Blog Ei, Carol!

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  8. Olá, tudo bem?
    Não conhecia este livro, achei bem interessante, no início fiquei pensando o que a fez desistir de tudo por alguém, mas aí lembrei que o livro se passava na década de 70, então nesta época as mulheres pensavam diferente.
    Gostei muito da sua resenha!
    Larissa (laoliphant.com.br)

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  9. oi ^^
    pow não conhecia o livro, porém a premissa não me interessou nenhum pouco. na verdade esse tipo de livro não é meu preferido, por isso passo a dica.
    de qualquer forma gostei o modo como abordou a obra na resenha ^^ Seguindo o Coelho Branco

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  10. Olá, não conhecia o livro, gostei da resenha, mas não sei se leria. A premissa não me interessou muito.

    Abraços

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  11. Oie, tudo bem? Adorei a resenha. Eu não conhecia o livro nem o autor, achei muitíssimo interessante, mas não pretendo ler no momento.

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  12. Uau! Simplesmente adorei o livro e com certeza ele vai entrar para minha lista de leitura! Um tema forte como esse, os dramas familiares e as dúvidas e questionamentos dessa mulher que escolhe se mudar obedecendo ao amante (temos que considerar a época). Me parece muito bom!
    Valeu a dica!
    Abraço!

    Karla Samira
    http://pacoteliterario.blogspot.com.br/

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  13. Ola! Não conhecia o autor e o livro, contudo gostei muito da premissa.
    Como as coisas mudam, atualmente poucas pessoas, meninas aceitam ficar em casa,apenas cuidando dos filhos e esperando o marido ou namorado chegar em casa. Mas, ela poderia ter escolhido não ir com ele e continuar na sua vida, contudo "livre" e com sua família, mas acho que ela se via melhor ao seu lado!


    Beijão da Lari!
    Brilliant Diamond |Fan Page

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  14. Olá :D
    Não se preocupe, vi que você faz faculdade e também faço, tempo é escasso para universitários hehehe então, até achei o livro interessante, mas tenho medo da reação que causaria em mim rs esse vazio que tu mencionou, quando encontro em livros, me dá uma ressaca :(
    Beijos <3

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  15. Cony é maravilhoso! Ainda não li esse livro, mas confesso que quero uma chance de ler mais clássicos. Bela resenha, Rodrigo! Beijos!

    Carolina Gama

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  16. Rodrigo, esse título não me é estranho, mas não li o livro.
    Que tema ainda atual.
    Deve ser uma leitura que nos leva a grandes reflexões.
    Já quero ler.

    Lisossomos

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  17. Oi, Rodrigo! Tudo bem? Eu gosto bastante desse autor, você me fez lembrar. Vários livros que li quando ainda estava na escola eram de sua autoria, e eu gostava muito. Mas o tempo passou e eu acabei esquecendo dele. Acho que o último que li, se não me engano era um que tinha "aranhas verdes" no título. Esse da sua resenha, em especial, eu nunca li. Você me deixou interessada. :)
    Beijo!

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  18. Olá,
    Nunca ouvi falar do livro, no gênero dele parece ser ótimo.
    Não é algo que eu leio, mas sempre acho bom conhecer novas coisas.

    http://euinsisto.com.br

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  19. Olá Rodrigo história interessante e bem realista, gostei do enredo, vou anotar o título. Bjs

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  20. Oi Rodrigo, tudo bem?

    O livro parece ser bem caprichado, apesar da história não ter me chamado a atenção. Pena que os diálogos são fracos, mas, pelo menos, as reflexões do enredo compensam.

    beijos
    Kel
    www.porumaboaleitura.com.br

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  21. Oi Rodrigo, tudo bem?
    Minha prima leu esse livro na escola e falou bem pra caramba dele e parece muito bom. Vou dar uma chance a obra pois alem de ser curto tem uma temática bem interessante de se ler.

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